Acorda, Policial e Bombeiro Militar!


O verdadeiro desafio não é inserir uma idéia nova na mente militar, mas sim expelir a idéia antiga" (Lidell Hart)
Um verdadeiro amigo desabafa-se livremente, aconselha com justiça, ajuda prontamente, aventura-se com ousadia, aceita tudo com paciência, defende com coragem e continua amigo para sempre. William Penn.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sociedade da fuga. O mal dos tempos.


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Por Célia Corrêa * 
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Não há um dia sequer que não ouço uma triste notícia sobre violência. Casos e casos se multiplicam, reinventam e inovam a arte do descalabro. Famílias se tornam surpresas e sofridas quando se veem diante de fenômenos impensados ao longo de uma vida. Elas tentam compreender onde ocorreram os desvios do cotidiano e se esbarram nas inúmeras buscas de causas, até o esgotamento das forças e o consolo do perdão. Tudo tão perto de todos e, ao mesmo tempo, invisível.
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Acontece que, o copo não transborda no primeiro toque. Ele vai se enchendo aos poucos e silenciosamente. É como o caminhar das formigas, quase invisível e de pouco a pouco, mas sempre na mesma direção, até que um dia o formigueiro se transborda.
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Todos querem viver o socialmente correto, mas para muitos o social não é uma realidade palpável. Existe um medo interior, uma insegurança não aparente, uma fraqueza disfarçada, um desconforto inexplicável, mesmo diante de todas as riquezas que possam estar em volta.
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Somente o coração sente o repuxo, mas não consegue controlar a onda, que repetidas vezes se fantasia de alegria e outras de choro. O apelo para não transparência leva à fuga. Fuga de tudo e de todos. Fuga da realidade. Fuga da verdade! Fuga da coragem! Fuga da fraqueza!Fuga do amor! Fuga de si mesmo!
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E, para onde leva a fuga? Muitas fezes para o considerado, inicialmente, caminho mais fácil que parte de copos, cheiros, picadas e cachimbos até o autoextermínio ou extermínio daqueles que representam o social não alcançado.
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Aos poucos, a fuga não é somente daquela vítima do seu próprio interior. A fuga é de todos ao redor. A não aceitação das pequenas evidências leva ao silêncio e distância, pois tudo se torna inexplicável. Mais fugas, agora de dentro e de fora, passam a promover um turbilhão de perguntas sem respostas.
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Todos fogem. A família foge cansada de tanto tentar entender os fatos. Os amigos fogem das diferenças aparentes. Emprego e trabalho desaparecem. Tudo é fuga. E o Estado? Onde ele se posiciona? Como guardião da sociedade, o Estado representa a forma máxima de organização humana; responsável pelo controle social. E aí? Como ele se coloca diante de tantos fatos que representam fuga e morte da sociedade?
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O Estado tem sido ineficiente e omisso. Daí, a ineficácia de suas medidas no campo da saúde e da educação. É, na verdade, o grande cúmplice dos suicídios e assassinatos e da desgraça de muitas famílias. Com as "burras" cheias dos impostos coletados e do descontrole da corrupção, ainda não cumpre a sua missão precípua diante da família e da nação. Gasta seu tempo no jogo do poder e no controle das urnas, enquanto jovens se perdem nas ruas e morrem nas sarjetas como animais ferozes. As famílias sangram de dor, de medo, de pés e mãos atados. 

Famílias, o núcleo principal de uma nação, perdem a suas identidades e suas forças. Desabrocha-se uma nação sem esperanças, mas consolada com a possibilidade da troca por bens de consumo. Consomem-se carros, roupas, móveis e utensílios domésticos enquanto a terra nua e crua consome corpos de jovens que fugiram desesperançados. Fuga da responsabilidade do Estado que se perdeu na construção de boas políticas públicas.
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Políticas cegas e surdas impedem àqueles que conseguem perceber os dramas e tentam ajudar e salvar vidas. O Estado cria restrições. À título de exemplo, ao sugar impostos, dificulta a doação de valores para o tratamento da saúde de dependentes químicos. Não há tratamento suficiente para atender aos acometidos pelas doenças da "fuga", como também não há incentivos para aqueles que queiram participar e ajudar. Para tornar o exemplo mais claro, tente patrocinar o tratamento de saúde de um dependente químico e peça o recibo em seu nome. Impossível! O recibo somente poderá ser emitido em nome do paciente (que não trabalha e não tem renda). Assim, a dificuldade estabelecida pelo Estado impede um benefício e mascara uma realidade.
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* Célia Maria Corrêa Pereira – celia.correa@terra.com.br / Professora. Administradora. Mestre em Engenharia de Produção

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