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domingo, 21 de agosto de 2011

Ladrões já atacaram 500 caixas neste ano em SP

Dados sobre assaltos a equipamentos eletrônicos de saque de dinheiro constam de levantamento inédito da polícia
Máquinas em mercados, postos de combustível e agências guardam até R$ 100 mil; quadrilhas têm ajuda de policiais

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Pelo menos 500 caixas eletrônicos, em aproximadamente 170 ataques, foram roubados ou furtados neste ano no Estado de São Paulo.
Os dados são de levantamento realizado pelos órgãos de inteligência das polícias.
Em média, cada caixa guarda de R$ 70 mil a R$ 100 mil. Caso os ladrões tivessem êxito em levar o dinheiro de todas as 500 máquinas, as quadrilhas teriam conseguido cerca de R$ 50 milhões.
A fim de evitar risco de tiroteio com vigilantes ao invadir bancos em horário comercial, os ladrões passaram, desde o início deste ano, a atacar os equipamentos com explosivos ou maçaricos.
Em cincos dos ataques, 14 pessoas morreram. Onze são suspeitas de participar dos roubos. Outras três nada tinham a ver com os assaltos: um vendedor de milho que passava com seu carro próximo ao parque Ibirapuera, um menino que caminhava pela rua no Grajaú e um PM que cuidava de outro crime e, por acaso, ficou na linha de tiro dos assaltantes em fuga.
No caso mais violento neste ano, seis homens que tentavam roubar caixas eletrônicos de um supermercado na zona norte de São Paulo foram mortos pela Rota, grupo especial da PM de São Paulo.
Até junho, a Polícia Civil havia rastreado quatro quadrilhas especializadas e, em todas elas, foi detectada a participação de PMs. Hoje, 35 são investigados sob suspeita de ajudar nos assaltos.
Quando não participam diretamente de ataques, PMs dão a ladrões dados sobre horários de patrulhas e sistemas de segurança de agências bancárias, postos de gasolina e mercados que mantêm tal tipo de equipamento.
Em maio, a Associação Comercial de São Paulo chegou a recomendar aos donos de estabelecimentos que não se sintam seguros a retirada dos caixas eletrônicos. Muitos abriram mão da máquina.
Análise feita pela Folha em 116 dos 170 roubos ou furtos revela que as quadrilhas ainda têm como principal alvo os caixas instalados dentro de agências bancárias, onde ocorreram 37% dos casos. O segundo alvo são mercados, com 21,5% dos casos.
Cerca de 10% dos ataques ocorrem em postos de gasolina, como o caso registrado na madrugada de ontem em Jundiaí, cidade do interior a 58 km da capital. Uma quadrilha com oito ladrões usou explosivos para destruir uma máquina. Ninguém foi preso.
Como os ataques com uso de explosivos são um fenômeno criminal recente, a Federação Brasileira de Bancos adotou medidas de segurança para diminuir os crimes.
A principal foi a instalação de mecanismos para manchar com tinta rosa notas de máquinas arrombadas a fim de que sejam identificadas.
Polícia tenta mapear ação de quadrilhas especializadas
Ataques a caixas revelam dinâmica dos criminosos
DE SÃO PAULO
Para o chefe da Polícia Civil paulista, o delegado Marcos Carneiro Lima, os pelo menos 500 caixas eletrônicos atacados neste ano são resultado de uma mudança da maneira de agir das quadrilhas. Também são reflexo da pulverização das máquinas em locais onde antes não existia o recurso bancário, como postos de gasolina e supermercados.
"Antes, as quadrilhas buscavam dinheiro nos cofres dos bancos, mas uma série de medidas de segurança fez com que os valores guardados diminuíssem. Enquanto isso, os valores nos caixas eletrônicos, agora espalhados por lugares mais periféricos, aumentaram bastante."
Na análise de Lima, que se baseia nas investigações do Dipol (departamento de inteligência), órgão da Polícia Civil responsável hoje por rastrear os crimes contra caixas eletrônicos no Estado, as quadrilhas são especializadas e recebem informações privilegiadas sobre a segurança dos locais onde os equipamentos estão instalados e também sobre quanto dinheiro há em cada um.
"São quadrilhas ousadas e organizadas, que não se preocupam com a segurança de ninguém ao usar explosivos para abrir os caixas. O ladrão não está preocupado com nada além de obter lucro", afirma o delegado.
Ainda segundo ele, as polícias têm direcionado operações para tentar evitar os ataques a partir do mapeamento do Dipol sobre dias da semana (a maior parte ocorre no sábado e no domingo), os horários (madrugada) e locais (capital e Grande São Paulo).
"Esse crime é difícil de ser investigado e exige um pouco mais de tempo e do uso da inteligência policial para produzir provas contra os ladrões. Eles sempre usam capuzes ou capacetes para que imagens de câmeras de segurança não possam servir para identificá-los. Vamos fazer novas prisões de envolvidos nesses crimes em breve", diz.

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